E se for sua última chance?

unnamed (1)Há aproximadamente 3 anos, conheci a Deus de uma forma diferente da qual eu era habituada a imaginar como Ele seria,como Ele agia, ou como eu deveria agir diante Dele. Meu tradicionalismo e preconceito com a liberdade em que “davam ao Espírito Santo” fazia com que eu me acomodasse, e como justificativa dizia que isso era “algo desnecessário,   afinal Deus recebe de qualquer forma, haa e Ele não é surdo e é onisciente, minha adoração vem da mente e minha mãos já o adoram quando bato palmas”.

O tempo foi passando, novos amigos, e novas situações planejadas por Deus me fizeram perceber que durante todo aquele período eu apenas perdi tempo, porque entendi que sendo intenso com Ele, é verdadeiramente saber viver. Até que há uns meses atrás Deus falou comigo de uma forma bem peculiar.

Era o segundo dia de estágio na UTI, e eu realizava os procedimentos que o paciente necessitava receber. No leito ao lado estava um jovem de 20 anos, que havia sido atropelado quando voltava do trabalho para casa. Ele estava inconsciente, sedado, e necessitava dos cuidados que só a UTI pode oferecer.

Percebi que o fisioterapeuta estava a todo momento realizando ajustes no aparelho que lhe dava um suporte para respirar, na tentativa de que ele se adaptasse melhor aquela ventilação mecânica. Até que mesmo não estando tão perto assim dos monitores, vi que seus sinais vitais mostravam estar se alterando, ou melhor, se agravando… É nesse momento que os alarmes são acionados, e a equipe toda começa a agir, na tentativa de salvar mais uma vida.

Eu nunca havia visto algo parecido. Antes, já estava comovida com sua história, e naquela hora comecei a pensar “será que esses são seus últimos instantes de vida?”… Naquele momento “meu coração ardia”, o Espírito santo me mandava orar, e me dizia claramente que ele estava sim morrendo.

Mas como me concentrar em tratar o (meu) paciente, e interceder pelo outro? Estando ainda nervosa, por estar realizando tais procedimentos pela segunda vez apenas… O que eu queria era estender as mãos sobre ele, orando e só!

Sem que necessitasse parar o que antes estava fazendo, consegui direcionar minhas mãos pra aquela cena. Clamei ao nosso Deus que pode todas as coisas, pra que lhe desse mais uma chance… No mesmo instante surgia um grande desejo no meu coração de falar algumas coisas para ele.

Por alguns momentos parecia que ele estava mesmo indo embora, mas Deus me trazia uma paz, me dizendo que ele ia sobreviver a tudo aquilo… E finalmente sua situação foi estabilizada. Ufa!

Voltei pra casa e pedi a Deus que me desse a oportunidade de falar com ele. O próximo dia de atendimento chegou… entrei na UTI e logo fui ver se ele ainda estava lá… e estava. Fui logo encaminhada pra ele, e pensei: É, não me precipitei em achar que Deus queria falar com ele, agora cabe a mim fazer a Tua vontade.

A vontade de ouvi-lo era enorme, mas ele ainda estava pouco sedado, e abria seus olhos raramente. Mesmo assim, eu sentia que deveria falar o que estava no meu coração. Falei um pouco do amor que Deus tinha para com ele, sobre o Seu cuidado, e o quanto Ele ansiava por vê-lo mais próximo Dele… Logo depois, lembrei de uma música e comecei cantar pra que ele me ouvisse:

Uma chance igual a essa

Talvez eu não tenha mais

Quero estar em Tua presença

Nem que seja a última vez…

Parece loucura, mas era isso que eu sentia, Deus falando com ele, na sua intimidade, mesmo que eu não lhe conhecesse… Senti que Deus estava naquele lugar.

Os dias foram se passando, e seu quadro ficava cada vez melhor. Quando acordado, e me via passando de um lado para outro, ele olhava fixamente pra mim, mas não chegamos a conversar, porque seu comportamento agora era diferenciado, nunca cheguei a ouvir sua voz. Ainda não se sabia se havia alguma lesão cerebral.

Certo dia, finalmente ele teve alta, e enquanto eu subia as rampas do hospital, ele descia deitado na maca. Mais uma vez com os olhos fixados em mim, sem dizer uma palavra.

Semanas depois, naquela mesma UTI, finalizei o atendimento e fui cumprimentar alguns daqueles pacientes que estão ali a bastante tempo, e conscientes. Quando vi que o mais antigo deles estava muito nervoso. Sem razão aparente todos os seus sinais vitais estavam descontrolados. Era mais uma crise de ansiedade, era a depressão. Foi há mais de um ano atrás que um lixo na estrada impediu a visão do caminhoneiro completar a viagem em segurança.

Seu caminhão saiu da rota e a lesão medular lhe trouxe a perca da sensibilidade e movimentos da altura do mamilo para baixo. Naquele momento de agitação provavelmente a cena daquele acidente se repetia em sua mente. Seu corpo já estava todo sequelado, e sua voz comprometida.

Depois de tanto tempo, fios, tubos, o exagerado frio do ar condicionado e procedimentos médicos ainda faziam parte da sua rotina. Ele chorava desesperadamente.

Calcei luvas novas, segurei forte no seu ombro e pedi que ele se acalmasse… Enxugando suas lágrimas eu não lembro exatamente o que eu dizia. Foi ai que olhando para mim e com muito esforço ele disse: Avisa a minha família, que agora eu sei que eu vou morrer.

Meu Deus, como eu queria chorar naquela hora… No mesmo instante enfermeiras e a preceptora que me supervisionava se aproximaram, pois ouviram os monitores alarmando, e iam seda-lo pra que ele dormisse, o que era geralmente muito difícil de conseguir. Me pediram pra sair dali… Mas eu não queria.

Por minha inexperiência esperavam que eu começasse a chorar e isso iria atrapalhar bastante. E foi o que fiz quando fui me afastando, enquanto ainda ouvia ele repetindo que estava morrendo… Eu chorava por ele, e por mim, imaginando se fosse eu que estivesse ali. Eu estava habituada a vê-lo “bem”, por muitas vezes ouvindo suas músicas eu seu radio.

No meu canto, eu orava por ele e lembrei novamente daquela música… que em outra estrofe diz:

Se tiver que gritar, eu gritarei

Se tiver que chorar, eu chorarei

Se tiver que humilhar o meu espírito

Assim o farei, me dá mais uma chance

Aí eu te pergunto…

Como você saberá se será sua última chance de gritar, levantar suas mãos, pular, ou dançar na presença de Deus? Este homem provavelmente neste exato momento está no mesmo leito, no mesmo hospital, na mesma posição, olhando para o mesmo teto, e hoje não pode fazer nenhuma dessas ações que citei… Como você saberá se será sua última chance de render-se a Ele e entregar sua vida, convidando Jesus para te transformar por inteiro e escrever seu nome no livro da vida?

Como você saberá se é sua última chance de ser usado por Deus em qualquer lugar que esteja, sem restrições, crendo que através de uma oração pessoas podem ser curadas, vidas transformadas. Na primeira história que contei, eu não sei exatamente qual o resultado que levou eu a orar, cantar, falar a Ele o que Deus me ordenava. Mas tenho a consciência tranquila de que fiz tudo que me foi ordenado… Será que estamos todo tempo sensíveis a entender o que Deus quer que façamos?

Porque deixamos sempre pra o amanhã? Ler a bíblia só amanhã, orar só amanhã, separar um momento de adoração só amanhã, jejuar só amanhã, estudar aquele assunto da bíblia só quando alguém se dispõe a ensinar na igreja. A busca individual te faz alcançar no coletivo.

Ah meu irmão, minha irmã, não vamos deixar pra fazer amanhã o que podemos fazer hoje. Deus hoje está te convidando a realizar toda e qualquer coisa que envolva Seu nome, como se fosse a última vez. Vai lá, para um pouquinho agora, e faz algo pra Ele.

Não deixa pra agradecer quando houver culto de ação de graças, pra adorá-lo quando tocarem aquela música que você gosta, pra entregar sua vida a Ele quando achar que já está velho pra isso, ou a beira da morte. Dê o seu melhor ainda hoje!

Por favor, ouça essa música por completo, e reflita…

ÚLTIMA CHANCE(Ministério Ipiranga)

Por Lais Barros.

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