Liberta-me!

unnamedAgosto de 2014, uma das noites mais frias do ano, estávamos evangelizando com um grupo na madrugada e distribuindo sopa. O frio incomodava e íamos levando aquela madrugada à base de café bem quente para  suportar o frio.

Passando pela rua 15 de novembro, encontramos um rapaz e logo paramos para evangelizá-lo. Estava visivelmente perturbado e não conseguia ficar quieto, tomava a sopa quente desesperadamente como se alguém a qualquer momento fosse tomar dele, então comecei a falar do amor de Deus pra ele e nesta tentativa fui interrompido diversas vezes, até o momento que ele desabafou e me contou o que estava acontecendo.

Seu nome era Marcelo, natural de Brejo da Madre de Deus – PE, e estava desviado do evangelho. Há 5 dias sem dormir por conta do crack já nem lembrava a última vez que tinha comido algo. Devido ao vício saiu de casa e deixou a mulher e a filha pequena para que elas não vissem o seu estado, e naquele dia já havia tentado tirar a sua vida duas vezes, mas não conseguia explicar o  porque de  não ter conseguido consumar o suicídio.

De imediato percebi o quanto o amor de Deus é lindo e o valor daquele momento, pois esse encontro tinha sido marcado por Ele, porque aquele homem com uma vida destruída, no qual a única vontade era a morte, foi impedido de consumar o suicídio para que pudesse ouvir o evangelho e assim receber uma nova chance de recomeçar.

Não obtive muito avanço naquela noite, pelo menos naturalmente, pois Marcelo estava muito agoniado para fumar mais uma “pedra” e não quis mais me ouvir, embora confessasse que aquela conversa o ajudou muito. Ele saiu cambaleando pela rua deserta e temi que algo pudesse acontecer com ele naquela noite.

Fiquei um pouco triste, pois não estava satisfeito em vê-lo sair daquela forma, porém duas semanas depois eu estava novamente nestas madrugadas evangelizando e um rapaz veio de longe com um sorriso de um canto ao outro e já chegou me abraçando. Era Marcelo, que por incrível que pareça lembrava de cada palavra do nosso encontro,inclusive de mim. Me agradeceu muito pelo que aconteceu naquela noite e me explicou que a vontade de fumar uma “pedra” era muito grande e ele não conseguiu controlar e teve que sair, mas conversamos muito e novamente comecei a pregar enquanto ele resistia muito e me explicava que não pretendia voltar para o Senhor naquele momento.

Pelo menos agora eu sabia que Marcelo estava bem e já conhecia o local onde passava todas as noites e também o seu local de trabalho que era lavando carro um pouco à frente do Grande Hotel, menos mal, pois podia acompanhá-lo semanalmente e sempre está semeando a Palavra nele.

O tempo passou e a situação não mudou, já fazia alguns meses desde o primeiro encontro, e Marcelo ainda estava preso no crack e nem queria nada com o evangelho. Nesse meio estava a sua família a qual ele abandonou e não tinha coragem de voltar naquela situação. Mas ele as amava muito e falava delas constantemente para mim, dizia que sua esposa era crente e que sabia que esses encontros comigo era resposta de oração dela, porém, na situação que ele se encontrava iria de mau a pior e dois destinos o esperavam certamente, cemitério ou presídio.

Até que uma madrugada dessas eu não encontro Marcelo na rua, seus amigos me disseram que ele havia fugido dali envergonhado por ter cometido um pequeno furto e “se sujado no setor”. Ali, minhas esperanças em Marcelo se encerraram e o que me restou foi interceder pela sua vida na tentativa de que aquelas palavras pudessem penetrar no seu coração, e ele abrir espaço pra o Senhor entrar na sua vida e fazer a mudança que Ele tanto deseja.

Uns 4 meses depois  na semana santa fomos até Nova Jerusalém com um grupo evangelizar na porta do teatro. Pra glória de Deus tivemos um resultado grandioso e estávamos empolgados com a quantidade de pessoas que foram alcançadas. Já havia anoitecido e eu estava reunindo as pessoas para que pudéssemos voltar pra Caruaru, quando subitamente recebo um abraço, era Marcelo, mas algo havia acontecido, pois dessa vez não estava com um cigarro na orelha, não estava sobre o efeito do crack, seu semblante estava diferente, outro Marcelo estava ali na minha frente.

Com os olhos cheios de lágrimas ele me apresentou à sua esposa e sua filhinha e dizia para elas assim: Esse é o rapaz que eu tinha dito a vocês que me ajudou com a Palavra de Deus todos esses meses e eu sempre dizia a ele que esse momento um dia ia chegar.

Marcelo tinha se reconciliado com Cristo e decidiu voltar pra casa, sua esposa o esperou todos esses meses e sempre orava por ele, com muito orgulho me disse que estava “limpo” há 3 meses e que já tinha até aberto um negócio próprio e estava mantendo a família. Agora nos finais de semana o destino da família são os cultos em uma igreja na rua da sua casa e ainda me prometeu que um dia contaria seu testemunho lá na igreja onde congrego.

E eu não sabia quem estava mais alegre se era ele ou eu, pois aquele velho Marcelo tinha morrido e um Marcelo renovado surgiu, trabalhador, livre de vício, pai de família e firmado no Evangelho que transformou a sua vida.

Nesse momento aprendi algumas lições. As vezes somos imediatistas demais e não conseguimos insistir, persistir e esperar vidas serem plenamente transformadas pelo evangelho e acabamos desistindo delas, seja em palavras, atitudes ou orações. Aprendi também um pouco mais sobre a importância de semear a palavra de Deus não importa a hora e nem a pessoa, pois todos necessitam do evangelho e nós somos os proclamadores da palavra da salvação. Cada conversa ou palavra por mais breve que seja tem o poder de transformar a vida de quem a recebe. E aprendi também que não existe vida destruída o suficiente para que Jesus Cristo não possa transformá-la, e em saber que pude participar dessa transformação sendo um cooperador do evangelho é o que me incentiva a nunca parar e sempre querer levar a Palavra do Senhor a quem estiver necessitado.

Que tal semear a palavra para alguém hoje?

Por Mário – Convidado pelo Blog

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